Bicarbonato x Câncer - estudos científicos

Portanto este é o primeiro trabalho científico que registra beneficio do uso de bicarbonato de sódio no tratamento de metástases.

Boa notícia, já que o bicarbonato já é usado por pessoas em quantidade não muito diferente da que usaram proporcionalmente nos camundongos (equivalente a 12,5 g/dia para uma pessoa de 70 kg), e não é relatado nenhum efeito colateral importante devido a este uso.

Teoria do fungo e da conspiração

Agora quanto ao caso do ex-médico Tullio Simoncini que prescrevia bicarbonato a seus pacientes permanece o alerta. A via de ação do bicarbonato apresentada aqui por este trabalho parece muito interessante e não tem absolutamente nada a ver com a ideia de Simoncini de fungos causando tumores.

Este trabalho também mostra que não existe um lobby velado da indústria farmacêutica impedindo pesquisas e publicações com substâncias que possam ir contra seus ganhos. A pesquisa com bicarbonato foi feita e publicada nesta revista muito conceituada no meio científico.

Existe lobby sim, mas ele atua de outras formas, e não impedindo pesquisa básica independente.
Fique também claro que este trabalho, apesar de parecer ter sido bem conduzido, ainda precisa ser confirmado por outros laboratórios. A repetição de resultados é a última garantia de que aquele dado é realmente confiável. Aguardemos melhores notícias.

Os Autores: Rafael Soares - Biólogo formado pela UNESP - Rio Claro e doutorando pela Biotecnologia da USP. Realiza pesquisa na área de terapia gênica do câncer.

Gabriel Cunha - Outra cria da Biologia UNESP/RC, começando o Doutorado em Biologia Molecular na UNIFESP. Também é professor e anda viciado em criação de conteúdo.

ANEXO

Bicarbonato de sódio confina tumores, sugerem pesquisas

Por Eduardo Geraque - Folha de S. Paulo em 16/06/2009

A importância do uso do bicarbonato de sódio para frear o surgimento de metástases tumorais ganha força com resultados recentes de experimentos feitos em camundongos. A substância eleva o pH do ambiente tumoral, o que dificulta a proliferação das células.

"Os testes em animais mostram que o bicarbonato deixa o tumor confinado", afirma Andres Yunes, pesquisador do Centro Infantil Boldrini, em Campinas, interior paulista.

Os animais tomaram bicarbonato via oral. A acidez dentro de um ambiente tumoral (pH mais baixo) torna a doença mais agressiva, como várias pesquisas já demonstraram.

Com os dois estudos publicados no periódico "Cancer Research", que reuniu grupos americanos (Arizona e Flórida) e um brasileiro (Boldrini), a hipótese que associa acidez a metástases fica mais robusta.

A tendência é que ela seja examinada em testes em humanos, que devem ser feitos nos EUA, no curto prazo.

De acordo com Yunes, que participou dos estudos ao ajudar a desenvolver um simulador computacional de tumor, existem argumentos para que testes clínicos com o bicarbonato em humanos possam ser feitos também no Brasil.

O modelo de computador, desenvolvido pelo engenheiro Ariosto Silva, hoje na Universidade da Flórida, corrobora a importância da acidez.

A ferramenta simulou o crescimento de um tumor de mama em três dimensões a partir de cenários reais. A substância ideal para neutralizar o tumor teria de ter um pH por volta de 7. O bicarbonato tem um pH de 6,1. Não é o ideal, mas serve.

Porém, os caminhos para frear tumores agressivos, diz Yunes, são vários. Uma saída é interferir diretamente na resistência do tumor à acidez.

"Tudo indica que essa maior resistência é por causa de uma proteína específica", diz Yunes. Portanto, pode-se pensar em uma droga que aja diretamente sobre ela. O resultado esperado é que o ambiente ácido, antes benéfico, acabe agora se voltando contra as células tumorais.